segunda-feira, novembro 23, 2009

Conversa alheia

Ouvi esta frase hoje na mesa ao lado (falavam alto pois não sou assim tão curioso):
"a mulher perfeita para mim é aquela que...etc."
Seria fantástico se a frase terminasse em "aquela".

"a mulher perfeita para mim é aquela"

Na mesa ao lado não a terminaram assim e disseram uma data de banalidades depois. Termino-a eu. "a mulher perfeita para mim é aquela".

Facilito a frase (já de si fácil): a mulher perfeita para mim é aquela que sendo imperfeita contém no "aquela" que ela é o "esta" e o a "outra" que não pode deixar de ser.

a mulher perfeita é aquela.

Não tenho dúvidas, ao menos, que o meu ponto mais distante da (im)perfeição é quando sou "aquele"

a frase

A frase mais bonita que já ouvi:

A vida não é só vida.


Não se entende a frase eu sei, pelo menos é impossível de a entender hermeneuticamente (pois a vida é só vida)....mas há "qualquer coisa" dA verdade na frase que a torna sublime


De facto, a vida não é só vida.

sexta-feira, novembro 06, 2009

que mal fica

que mal fica colocar aqui uma prenda (maravilhosa) que recebi

Mas um blogue também é uma espécie de diário e relata esse tal dia-a-dia (por isso o meu estar quase sempre sem nada)

O Fernando colocou no seu blogue esta prenda para mim que aqui transcrevo...e aconselho o blogue dele (http://donnemoimachance.blogspot.com)...ele sim percebe alguma coisa disso a que chamam literatura e não tantos que para aí andam.

Gracias Fernando. De corazón!

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"amador por deus
escritor pelas mulheres
crente pelo mundo


errata: onde se lê amador, dever-se-ia ler escritor;
onde se lê escritor, dever-se-ia ler crente;
onde se lê crente, dever-se-ia ler amador.

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benjamim machado
Etiquetas: uma prenda de anos

quinta-feira, outubro 29, 2009

Recomeço

Recomeço o blogue.

A vida é feita de recomeços - ao menos para mim que não sei "começar".

E, contudo, minto.
A vida não é feita de recomeços. É feita, também, isso sim, de Desistir.
E de não resistir a voltar ao que se desistiu.
Como a esta espécie de blogue

segunda-feira, maio 18, 2009

No final de contas

A frase de Enrique Vila-Matas que mais gosto e com a qual mais me identifico foi dita por Vila-Matas a propósito do seguinte:
estava ele a narrar determinado acontecimento quando, de repente, se apercebe que aquilo teria de conduzi-lo a cada vez maiores explicações (e a distanciar-se, alargando, precisamente o que estava a tentar narrar). Dando-se conta disto então afirma, justificando a necessidade de abreviar a história que pretendia contar:
"A minha história será abreviada, ou não será".

Adoro esta frase....tal como a adoro ainda mais trocando a palavra "história" por "vida".

É que no final de contas...poucas coisas contam perante a brevidade da vida...
e sendo a vida inevitavelmente demasiado breve, outra forma não poderia ter para que o fosse

No final de contas: "a minha história será abreviada, ou não será!

segunda-feira, maio 11, 2009

Dúvida


Aqui estou, no mesmo café onde há cerca de 4 anos uma das coisas mais marcantes da minha vida foi conversado e muito mudou.
Aqui estou, sentado numa cadeira (frente a uma mesa, tomando um martini), um pouco mais atrás da mesa onde tudo ocorreu.
É curioso: estou, com extrema nitidez, a ver-me há 4 anos atrás, naquela mesa ali adiante, e a visualizar, e a escutar tudo, outra vez.

Por isso a única dúvida que tenho é: como é que eu, há cerca de 4 anos, naquela mesa ali adiante, não me vi nesta mesa aqui atrás?

quinta-feira, março 26, 2009

Beijo ontológico

Como a prazos mensais - de um mês sem calendário -
Beijo-te os olhos e digo-te quem sou

E confundo com acertos os desenganos,
que a vida - a mais senhora de todas as putas -
abençoou.

De lábios ternos, rugas fugazes e crenças de um credo por criar,
reza-se a um altar vazio e adormece-se acordado
para não sonhar.

E não há "mas" neste texto. Nem "porém", nem "talvez", nem "quiçá" ou "no entanto".
Termina como começou:
beijando-te os olhos...e dizendo-te quem sou.

quinta-feira, março 05, 2009

Vou esquecer a estrutura

Sim, porque este blogue tinha uma estrutura. Vou esquecer que a tinha.
Antes assim.
Daqui a pouco torno-me "aficionado" dos poetas japoneses: o Sol nasce, a bicicleta anda, o lobo uiva, o urso panda.

quinta-feira, maio 15, 2008

Por vezes


Por vezes uma violência filha da puta.
Advém ela de tanta beleza que existe no mundo.
Sim, o mundo devia ser menos belo, visto que tão pouco tem de bondade.

Um violência filha da puta que me consome e me tem ... e que depois me abandona deixando-me no rosto a forma de um sorriso.

Uma violência filha da puta, violência filha da puta, filha da.

quarta-feira, abril 30, 2008

desaparecendo por desaparecer


Há quem reclame comigo por a minha espécie de blogue apenas falar de mulheres.
Crítica legítima e injusta, simultaneamente.

Injusta porque caso fale apenas de mulheres ...elas não são apenas mulheres.
Legítima caso realmente apenas fale de mulheres MAS o título do blogue sempre anunciou ausências...assim que....

E, de qualquer forma, mais íntimo não posso ser, afinal há muito tempo que perdi a faculdade de ter ideias (sim, houve um tempo em que as tive). Hoje em dia a minha cabeça são "notas de rodapé".
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Tudo passa,
Vai no vento...
Como uma folha caída.

Eu conto as horas da partida (não importa o que ficou).
A
lembrança do teu regaço faz de guia de meus passos...na direcção do Sol-pôr

sexta-feira, março 21, 2008

desaparecendo (n)a paixão de Cristo


Sexta-feira santa (para os católicos). Morte de Cristo.
Outra forma de dizê-lo: morte do Amor.
Poderia ser, "paganizando" mas não demasiado, morte de quem se ama.
Morte, por isso também, da mulher amada.

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Quando morreres chorar-te-ei a sério.
Aproximar-me-ei do teu rosto para beijar com desespero os teus lábios num último esforço cheio de presunção e de fé, para te devolver ao mundo que te terá relegado. Sentir-me-ei ferido na minha própria vida, e considerarei a história e o tempo partidos em dois por esse teu momento definitivo. Fecharei os teus surpreendidos e renitentes olhos com mão amiga, e velarei o teu cadáver esbranquiçado e mutante durante toda a noite e a inútil aurora (que te não terá conhecido). Retirarei a tua almofada, os teus lençóis humedecidos.
Eu, incapaz de conceber a existência sem a tua presença diária, hei-de querer seguir sem dilação os teus passos ao contemplar-te exânime. Irei visitar o teu túmulo, e falar-te-ei sem testemunhas do alto do cemitério após ter subido pela encosta e ter-te olhado com amor e cansaço através da pedra inscrita.

Verei antecipada na Tua a Minha própria morte, verei o Meu retrato e então, ao reconhecer-Me nas Tuas feições rígidas, deixarei de acreditar na autenticidade da Tua expiação por ela dar corpo e verosimilhança à Minha.

Porque ninguém está apto para imaginar a sua própria morte.

quinta-feira, março 20, 2008

desaparecendo (n)outros blogues I



Vi, noutro blogue (site, página pessoal, whatever...) uma fotografia muito curiosa, na qual, a proprietária do blogue (site, página pessoal, whatever...) aparece auto-fotografada (de certa forma todas as fotografias são auto-fotografias; ao menos todas são "auto") no meio (deitada no campo, misturada com...) de flores.
A descrição que fiz é horrível...mas enfim, a fotografia é bastante interessante.

Fiz um pequeno comentário no blogue dela acerca da fotografia ao qual ela respondeu e eu não contra-argumentei (trata-se do blogue Dela e por isso não quis continuar uma discussão que poderia fugir ao que ela deseje para aquele espaço; caso algo deseje para aquele espaço. Ou seja: dei-me conta que estou a ficar bem-educado....jesus).

Fugindo ao tema da discussão não tida, mas que caminhava num outro sentido (falávamos de Segredos e do que se pode ou não entender como tal), volto à fotografia: uma mulher misturada num campo de flores.

Mesmo pensando eu que a única forma de guardar segredos é anunciando-os, por respeito à opinião dela (estou mesmo a tornar-me bem educado, aos 34 anos continuo a perder as poucas qualidades que tinha) mantenho em segredo os nomes dos "personagens" da fotografia.
Apenas disse tratar-se de uma mulher (não disse que se chamava Sofia pois não?) e de flores (malmequeres no caso). Opsss. hummm...pronto, não vou dizer o nome de cada malmequer!!!

O que tento dizer aqui (há tanto tempo que não escrevo aqui e de forma directa no computador que isto está mesmo terrível; ao menos os posts não poderão piorar) é que aquela fotografia apenas me faz recordar:

Sofia não desfolhava os malmequeres porque sabia que todos lhe diriam que sim!

quarta-feira, março 19, 2008

(des)aparecendo I

Aparecendo de repente tanto tempo depois num sítio que supostamente me pertence.

E tudo devido a malmequeres (ás flores, refiro-me).

Explico-me mais logo que agora são horas de copos.
por certo tinha razão o Zé Manel: este não é um blogue desistente (foi só para vos alegrar que fiz que parecesse tal coisa).