quarta-feira, março 10, 2010
terça-feira, dezembro 29, 2009
A Lara deu-me isto a conhecer
Eu que tenho muito orgulho nas minhas brasileiradas não conhecia isto. Imperdoável.
Obrigado Lara.
Obrigado Lara.
domingo, dezembro 13, 2009
Dizem que morreu a ver o mar
Dizem que morreu a ver o mar. Devido a isso consideraram-no estranho. Dizem que não se pode morrer a ver o mar. Ele sim. Ele podia. Ele morria em qualquer lado.
A falta de apego que tinha pela morte e a indiferença para com aquilo que se pode denominar como “ambiente propício” deviam ser as causas para o facto de em qualquer lado ele morrer.
Ao contrário de muitas pessoas para as quais as velas numa mesa de jantar colocada numa varanda com a Lua no céu são o “ambiente propício” para uma declaração de amor, ele nunca se conseguiu emocionar com alguma coisa que não fosse resultado do Acaso; sinónimo de Milagre, obviamente.
As causas sem causa, dizia, essas sim são as nêsperas do mundo – uma expressão que ninguém entendia muito bem.
Dizem que morreu a ver o mar. Dizem que não se pode morrer a ver o mar. Pode morrer-se no mar. Afogado. Em luta. Ou morrer nú no mar. Afogado. Em luta. Inclusive um faroleiro, cujos olhos buscam mais os barcos que o mar, mesmo um faroleiro – esse náufrago dos náufragos – caso tenha, repentinamente, enquanto vigia mais os barcos que as marés, uma trombose, inevitavelmente, dizem, baixará a cabeça, o olhar. Morrerá, caso morra, de olhos no chão porque, dizem, não se pode morrer a ver o mar.
Ele, no entanto, assim dizem que morreu. Mas ele morria em qualquer lado.
Estava encostado à muralha, palma da mão direita no queixo, rodeado de gaivotas, olhando o mar. Não vigiava a maré nem, ao contrário de meia dúzia de surfistas que estavam na areia, contava as ondas esperando a sétima. Não se distraía com o som que a água fazia ao bater na areia, nem reparou nas distintas cores da água devido às várias tonalidades que a luminosidade do ar provocava. Não deu conta de remoinhos, nem do vento ou de algas ou de peixes. Nem de sereias. Era indiferente ao “ambiente propício”. Olhava e via o mar, não as suas características ou propriedades. As causas sem causa, dizia, essas sim são as nêsperas do mundo.
Devo confessar que não sei se é verdade que ele tenha morrido a ver o mar. É estranho que tal tenha acontecido de facto, mas acredito que sim pois ele morria em qualquer lado. O que sim sei com absoluta certeza e que posso garantir é que foi a primeira vez que ele viu o mar. Era serrano, do interior, e, ironicamente, não queria morrer sem ver o mar – desejo esse que felizmente se cumpriu. Pior é o preço do desejo não cumprido.
De qualquer forma nem sequer podemos dizer que houve uma causa directa entre o mar, ele, o olhar e ver o mar e a sua morte. Apenas podemos relatar o facto de que assim dizem que aconteceu. Calcular a causa seria especulação e as nêsperas do mundo, ao contrário da especulação, são reais.
Depois de morrer a ver o mar voltou para casa, para a serra, para o interior. Foi no dia seguinte a ter morrido a ver o mar que o ouviram dizer que estava contente por, finalmente, já ter visto o mar.
Ninguém estranhou, naturalmente, que depois de ter morrido a ver o mar ele não se tivesse mantido morto. Todos sabiam que tinha pouco apego pela morte. Talvez por isso, talvez pela indiferença que tinha pelo “ambiente propício” e talvez porque o coração dele tinha uma parede tão fina que até uma lágrima a cair no rosto de um desconhecido podia partir, talvez por isso, dizia, ele morria em qualquer lado.
A falta de apego que tinha pela morte e a indiferença para com aquilo que se pode denominar como “ambiente propício” deviam ser as causas para o facto de em qualquer lado ele morrer.
Ao contrário de muitas pessoas para as quais as velas numa mesa de jantar colocada numa varanda com a Lua no céu são o “ambiente propício” para uma declaração de amor, ele nunca se conseguiu emocionar com alguma coisa que não fosse resultado do Acaso; sinónimo de Milagre, obviamente.
As causas sem causa, dizia, essas sim são as nêsperas do mundo – uma expressão que ninguém entendia muito bem.
Dizem que morreu a ver o mar. Dizem que não se pode morrer a ver o mar. Pode morrer-se no mar. Afogado. Em luta. Ou morrer nú no mar. Afogado. Em luta. Inclusive um faroleiro, cujos olhos buscam mais os barcos que o mar, mesmo um faroleiro – esse náufrago dos náufragos – caso tenha, repentinamente, enquanto vigia mais os barcos que as marés, uma trombose, inevitavelmente, dizem, baixará a cabeça, o olhar. Morrerá, caso morra, de olhos no chão porque, dizem, não se pode morrer a ver o mar.
Ele, no entanto, assim dizem que morreu. Mas ele morria em qualquer lado.
Estava encostado à muralha, palma da mão direita no queixo, rodeado de gaivotas, olhando o mar. Não vigiava a maré nem, ao contrário de meia dúzia de surfistas que estavam na areia, contava as ondas esperando a sétima. Não se distraía com o som que a água fazia ao bater na areia, nem reparou nas distintas cores da água devido às várias tonalidades que a luminosidade do ar provocava. Não deu conta de remoinhos, nem do vento ou de algas ou de peixes. Nem de sereias. Era indiferente ao “ambiente propício”. Olhava e via o mar, não as suas características ou propriedades. As causas sem causa, dizia, essas sim são as nêsperas do mundo.
Devo confessar que não sei se é verdade que ele tenha morrido a ver o mar. É estranho que tal tenha acontecido de facto, mas acredito que sim pois ele morria em qualquer lado. O que sim sei com absoluta certeza e que posso garantir é que foi a primeira vez que ele viu o mar. Era serrano, do interior, e, ironicamente, não queria morrer sem ver o mar – desejo esse que felizmente se cumpriu. Pior é o preço do desejo não cumprido.
De qualquer forma nem sequer podemos dizer que houve uma causa directa entre o mar, ele, o olhar e ver o mar e a sua morte. Apenas podemos relatar o facto de que assim dizem que aconteceu. Calcular a causa seria especulação e as nêsperas do mundo, ao contrário da especulação, são reais.
Depois de morrer a ver o mar voltou para casa, para a serra, para o interior. Foi no dia seguinte a ter morrido a ver o mar que o ouviram dizer que estava contente por, finalmente, já ter visto o mar.
Ninguém estranhou, naturalmente, que depois de ter morrido a ver o mar ele não se tivesse mantido morto. Todos sabiam que tinha pouco apego pela morte. Talvez por isso, talvez pela indiferença que tinha pelo “ambiente propício” e talvez porque o coração dele tinha uma parede tão fina que até uma lágrima a cair no rosto de um desconhecido podia partir, talvez por isso, dizia, ele morria em qualquer lado.
quarta-feira, dezembro 09, 2009
Apenas no Alentejo
Apenas no Alentejo (entre os vários locais que conheço) se terminam muitas noites com cantigas.
domingo, dezembro 06, 2009
Acerca de escrever uma canção, ou talvez não
Um dos melhores escritores de canções é, sem dúvida, Chico Buarque.
Para todos os que me acham machista nas piadas vejam esta do Chico. É terrível e sarcástica mas representa o que os homens (sensíveis) dizem MENTINDO para ....enfim....
Se de mim sabem que eu sou um idiota...do Buarque (todo ele compreensão para com as mulheres e tal e tal) pode, para as mulheres ser uma surpresa.
Para mim não o é, pois quem conta piadas desta forma (e com o sentido de PIADA, e que se conta entre homens ou a mulheres de quem se gosta), ela representa apenas o tanto que ...enfim....não é possível explicar
Siga a história:
Enquanto estava a escrever a letra da canção "Ode aos ratos" Chico Buarque telefonou ao amigo e zoólogo Paulo Vanzolini a perguntar coisas específicas, pois queria ser o mais preciso possível na canção. Coisas do tipo "o nariz, como é?", "é frio?", "é quente?", "macio?", "duro?", "e a pelagem?". Vanzolini, matreiro, responde: "Ô Chico, você mente tanto sobre mulher...porque não inventa qualquer coisa sobre ratos?" Chico Buarque não se atrapalha e contesta: "Pô Vanzolini...pelos ratos eu tenho o maior respeito".
Para todos os que me acham machista nas piadas vejam esta do Chico. É terrível e sarcástica mas representa o que os homens (sensíveis) dizem MENTINDO para ....enfim....
Se de mim sabem que eu sou um idiota...do Buarque (todo ele compreensão para com as mulheres e tal e tal) pode, para as mulheres ser uma surpresa.
Para mim não o é, pois quem conta piadas desta forma (e com o sentido de PIADA, e que se conta entre homens ou a mulheres de quem se gosta), ela representa apenas o tanto que ...enfim....não é possível explicar
Siga a história:
Enquanto estava a escrever a letra da canção "Ode aos ratos" Chico Buarque telefonou ao amigo e zoólogo Paulo Vanzolini a perguntar coisas específicas, pois queria ser o mais preciso possível na canção. Coisas do tipo "o nariz, como é?", "é frio?", "é quente?", "macio?", "duro?", "e a pelagem?". Vanzolini, matreiro, responde: "Ô Chico, você mente tanto sobre mulher...porque não inventa qualquer coisa sobre ratos?" Chico Buarque não se atrapalha e contesta: "Pô Vanzolini...pelos ratos eu tenho o maior respeito".
terça-feira, dezembro 01, 2009
Voltando aos Vídeos
O vídeo é excelente (principalmente o final)...a música é lamechas um pouco mas lindaaaa de morrer (ou então estou doido....hmmm...ou ambas as coisas)
Não era a música que queria (essa era a Alucinação mas o único vídeo disponível era horrível) e este blogue sem Belchior não poderia ser uma espécie de blogue sequer (esta frase é pura retórica por isso tinha de a dizer)
Na verdade meus amigos sabem que muitas vezes eu referia a frase "No Corcovado quem abre os braços sou eu"...aqui está ela neste poema-canção do fantástico Belchior. Além do mais, muitos me acusam das minhas "brasileiradas" e creio que ainda não havia nenhuma no meu blogue, mas vai começar a "vingança" e em um mês aí virão elas a sério
Senhoras e senhores, convosco....BELCHIOR
Não era a música que queria (essa era a Alucinação mas o único vídeo disponível era horrível) e este blogue sem Belchior não poderia ser uma espécie de blogue sequer (esta frase é pura retórica por isso tinha de a dizer)
Na verdade meus amigos sabem que muitas vezes eu referia a frase "No Corcovado quem abre os braços sou eu"...aqui está ela neste poema-canção do fantástico Belchior. Além do mais, muitos me acusam das minhas "brasileiradas" e creio que ainda não havia nenhuma no meu blogue, mas vai começar a "vingança" e em um mês aí virão elas a sério
Senhoras e senhores, convosco....BELCHIOR
segunda-feira, novembro 23, 2009
Conversa alheia
Ouvi esta frase hoje na mesa ao lado (falavam alto pois não sou assim tão curioso):
"a mulher perfeita para mim é aquela que...etc."
Seria fantástico se a frase terminasse em "aquela".
"a mulher perfeita para mim é aquela"
Na mesa ao lado não a terminaram assim e disseram uma data de banalidades depois. Termino-a eu. "a mulher perfeita para mim é aquela".
Facilito a frase (já de si fácil): a mulher perfeita para mim é aquela que sendo imperfeita contém no "aquela" que ela é o "esta" e o a "outra" que não pode deixar de ser.
a mulher perfeita é aquela.
Não tenho dúvidas, ao menos, que o meu ponto mais distante da (im)perfeição é quando sou "aquele"
"a mulher perfeita para mim é aquela que...etc."
Seria fantástico se a frase terminasse em "aquela".
"a mulher perfeita para mim é aquela"
Na mesa ao lado não a terminaram assim e disseram uma data de banalidades depois. Termino-a eu. "a mulher perfeita para mim é aquela".
Facilito a frase (já de si fácil): a mulher perfeita para mim é aquela que sendo imperfeita contém no "aquela" que ela é o "esta" e o a "outra" que não pode deixar de ser.
a mulher perfeita é aquela.
Não tenho dúvidas, ao menos, que o meu ponto mais distante da (im)perfeição é quando sou "aquele"
a frase
A frase mais bonita que já ouvi:
A vida não é só vida.
Não se entende a frase eu sei, pelo menos é impossível de a entender hermeneuticamente (pois a vida é só vida)....mas há "qualquer coisa" dA verdade na frase que a torna sublime
De facto, a vida não é só vida.
A vida não é só vida.
Não se entende a frase eu sei, pelo menos é impossível de a entender hermeneuticamente (pois a vida é só vida)....mas há "qualquer coisa" dA verdade na frase que a torna sublime
De facto, a vida não é só vida.
sexta-feira, novembro 06, 2009
que mal fica
que mal fica colocar aqui uma prenda (maravilhosa) que recebi
Mas um blogue também é uma espécie de diário e relata esse tal dia-a-dia (por isso o meu estar quase sempre sem nada)
O Fernando colocou no seu blogue esta prenda para mim que aqui transcrevo...e aconselho o blogue dele (http://donnemoimachance.blogspot.com)...ele sim percebe alguma coisa disso a que chamam literatura e não tantos que para aí andam.
Gracias Fernando. De corazón!
---------
"amador por deus
escritor pelas mulheres
crente pelo mundo
errata: onde se lê amador, dever-se-ia ler escritor;
onde se lê escritor, dever-se-ia ler crente;
onde se lê crente, dever-se-ia ler amador.
---
benjamim machado
Etiquetas: uma prenda de anos
Mas um blogue também é uma espécie de diário e relata esse tal dia-a-dia (por isso o meu estar quase sempre sem nada)
O Fernando colocou no seu blogue esta prenda para mim que aqui transcrevo...e aconselho o blogue dele (http://donnemoimachance.blogspot.com)...ele sim percebe alguma coisa disso a que chamam literatura e não tantos que para aí andam.
Gracias Fernando. De corazón!
---------
"amador por deus
escritor pelas mulheres
crente pelo mundo
errata: onde se lê amador, dever-se-ia ler escritor;
onde se lê escritor, dever-se-ia ler crente;
onde se lê crente, dever-se-ia ler amador.
---
benjamim machado
Etiquetas: uma prenda de anos
quinta-feira, outubro 29, 2009
Recomeço
Recomeço o blogue.
A vida é feita de recomeços - ao menos para mim que não sei "começar".
E, contudo, minto.
A vida não é feita de recomeços. É feita, também, isso sim, de Desistir.
E de não resistir a voltar ao que se desistiu.
Como a esta espécie de blogue
A vida é feita de recomeços - ao menos para mim que não sei "começar".
E, contudo, minto.
A vida não é feita de recomeços. É feita, também, isso sim, de Desistir.
E de não resistir a voltar ao que se desistiu.
Como a esta espécie de blogue
segunda-feira, maio 18, 2009
No final de contas
A frase de Enrique Vila-Matas que mais gosto e com a qual mais me identifico foi dita por Vila-Matas a propósito do seguinte:
estava ele a narrar determinado acontecimento quando, de repente, se apercebe que aquilo teria de conduzi-lo a cada vez maiores explicações (e a distanciar-se, alargando, precisamente o que estava a tentar narrar). Dando-se conta disto então afirma, justificando a necessidade de abreviar a história que pretendia contar:
"A minha história será abreviada, ou não será".
Adoro esta frase....tal como a adoro ainda mais trocando a palavra "história" por "vida".
É que no final de contas...poucas coisas contam perante a brevidade da vida...
e sendo a vida inevitavelmente demasiado breve, outra forma não poderia ter para que o fosse
No final de contas: "a minha história será abreviada, ou não será!
estava ele a narrar determinado acontecimento quando, de repente, se apercebe que aquilo teria de conduzi-lo a cada vez maiores explicações (e a distanciar-se, alargando, precisamente o que estava a tentar narrar). Dando-se conta disto então afirma, justificando a necessidade de abreviar a história que pretendia contar:
"A minha história será abreviada, ou não será".
Adoro esta frase....tal como a adoro ainda mais trocando a palavra "história" por "vida".
É que no final de contas...poucas coisas contam perante a brevidade da vida...
e sendo a vida inevitavelmente demasiado breve, outra forma não poderia ter para que o fosse
No final de contas: "a minha história será abreviada, ou não será!
segunda-feira, maio 11, 2009
Dúvida

Aqui estou, no mesmo café onde há cerca de 4 anos uma das coisas mais marcantes da minha vida foi conversado e muito mudou.
Aqui estou, sentado numa cadeira (frente a uma mesa, tomando um martini), um pouco mais atrás da mesa onde tudo ocorreu.
É curioso: estou, com extrema nitidez, a ver-me há 4 anos atrás, naquela mesa ali adiante, e a visualizar, e a escutar tudo, outra vez.
Por isso a única dúvida que tenho é: como é que eu, há cerca de 4 anos, naquela mesa ali adiante, não me vi nesta mesa aqui atrás?
quinta-feira, março 26, 2009
Beijo ontológico
Como a prazos mensais - de um mês sem calendário -
Beijo-te os olhos e digo-te quem sou
E confundo com acertos os desenganos,
que a vida - a mais senhora de todas as putas -
abençoou.
De lábios ternos, rugas fugazes e crenças de um credo por criar,
reza-se a um altar vazio e adormece-se acordado
para não sonhar.
E não há "mas" neste texto. Nem "porém", nem "talvez", nem "quiçá" ou "no entanto".
Termina como começou:
beijando-te os olhos...e dizendo-te quem sou.
Beijo-te os olhos e digo-te quem sou
E confundo com acertos os desenganos,
que a vida - a mais senhora de todas as putas -
abençoou.
De lábios ternos, rugas fugazes e crenças de um credo por criar,
reza-se a um altar vazio e adormece-se acordado
para não sonhar.
E não há "mas" neste texto. Nem "porém", nem "talvez", nem "quiçá" ou "no entanto".
Termina como começou:
beijando-te os olhos...e dizendo-te quem sou.
quinta-feira, março 05, 2009
Vou esquecer a estrutura
Sim, porque este blogue tinha uma estrutura. Vou esquecer que a tinha.
Antes assim.
Daqui a pouco torno-me "aficionado" dos poetas japoneses: o Sol nasce, a bicicleta anda, o lobo uiva, o urso panda.
Antes assim.
Daqui a pouco torno-me "aficionado" dos poetas japoneses: o Sol nasce, a bicicleta anda, o lobo uiva, o urso panda.
quinta-feira, maio 15, 2008
Por vezes

Por vezes uma violência filha da puta.
Advém ela de tanta beleza que existe no mundo.
Sim, o mundo devia ser menos belo, visto que tão pouco tem de bondade.
Um violência filha da puta que me consome e me tem ... e que depois me abandona deixando-me no rosto a forma de um sorriso.
Uma violência filha da puta, violência filha da puta, filha da.
quarta-feira, abril 30, 2008
desaparecendo por desaparecer

Há quem reclame comigo por a minha espécie de blogue apenas falar de mulheres.
Crítica legítima e injusta, simultaneamente.
Injusta porque caso fale apenas de mulheres ...elas não são apenas mulheres.
Legítima caso realmente apenas fale de mulheres MAS o título do blogue sempre anunciou ausências...assim que....
E, de qualquer forma, mais íntimo não posso ser, afinal há muito tempo que perdi a faculdade de ter ideias (sim, houve um tempo em que as tive). Hoje em dia a minha cabeça são "notas de rodapé".
------------------------------
Tudo passa,
Vai no vento...
Como uma folha caída.
Eu conto as horas da partida (não importa o que ficou).
A
lembrança do teu regaço faz de guia de meus passos...na direcção do Sol-pôr
sexta-feira, março 21, 2008
desaparecendo (n)a paixão de Cristo

Sexta-feira santa (para os católicos). Morte de Cristo.
Outra forma de dizê-lo: morte do Amor.
Poderia ser, "paganizando" mas não demasiado, morte de quem se ama.
Morte, por isso também, da mulher amada.
................................................................
Quando morreres chorar-te-ei a sério.
Aproximar-me-ei do teu rosto para beijar com desespero os teus lábios num último esforço cheio de presunção e de fé, para te devolver ao mundo que te terá relegado. Sentir-me-ei ferido na minha própria vida, e considerarei a história e o tempo partidos em dois por esse teu momento definitivo. Fecharei os teus surpreendidos e renitentes olhos com mão amiga, e velarei o teu cadáver esbranquiçado e mutante durante toda a noite e a inútil aurora (que te não terá conhecido). Retirarei a tua almofada, os teus lençóis humedecidos.
Eu, incapaz de conceber a existência sem a tua presença diária, hei-de querer seguir sem dilação os teus passos ao contemplar-te exânime. Irei visitar o teu túmulo, e falar-te-ei sem testemunhas do alto do cemitério após ter subido pela encosta e ter-te olhado com amor e cansaço através da pedra inscrita.
Verei antecipada na Tua a Minha própria morte, verei o Meu retrato e então, ao reconhecer-Me nas Tuas feições rígidas, deixarei de acreditar na autenticidade da Tua expiação por ela dar corpo e verosimilhança à Minha.
Porque ninguém está apto para imaginar a sua própria morte.
quinta-feira, março 20, 2008
desaparecendo (n)outros blogues I

Vi, noutro blogue (site, página pessoal, whatever...) uma fotografia muito curiosa, na qual, a proprietária do blogue (site, página pessoal, whatever...) aparece auto-fotografada (de certa forma todas as fotografias são auto-fotografias; ao menos todas são "auto") no meio (deitada no campo, misturada com...) de flores.
A descrição que fiz é horrível...mas enfim, a fotografia é bastante interessante.
Fiz um pequeno comentário no blogue dela acerca da fotografia ao qual ela respondeu e eu não contra-argumentei (trata-se do blogue Dela e por isso não quis continuar uma discussão que poderia fugir ao que ela deseje para aquele espaço; caso algo deseje para aquele espaço. Ou seja: dei-me conta que estou a ficar bem-educado....jesus).
Fugindo ao tema da discussão não tida, mas que caminhava num outro sentido (falávamos de Segredos e do que se pode ou não entender como tal), volto à fotografia: uma mulher misturada num campo de flores.
Mesmo pensando eu que a única forma de guardar segredos é anunciando-os, por respeito à opinião dela (estou mesmo a tornar-me bem educado, aos 34 anos continuo a perder as poucas qualidades que tinha) mantenho em segredo os nomes dos "personagens" da fotografia.
Apenas disse tratar-se de uma mulher (não disse que se chamava Sofia pois não?) e de flores (malmequeres no caso). Opsss. hummm...pronto, não vou dizer o nome de cada malmequer!!!
O que tento dizer aqui (há tanto tempo que não escrevo aqui e de forma directa no computador que isto está mesmo terrível; ao menos os posts não poderão piorar) é que aquela fotografia apenas me faz recordar:
Sofia não desfolhava os malmequeres porque sabia que todos lhe diriam que sim!
quarta-feira, março 19, 2008
(des)aparecendo I
Aparecendo de repente tanto tempo depois num sítio que supostamente me pertence.
E tudo devido a malmequeres (ás flores, refiro-me).
Explico-me mais logo que agora são horas de copos.
por certo tinha razão o Zé Manel: este não é um blogue desistente (foi só para vos alegrar que fiz que parecesse tal coisa).
E tudo devido a malmequeres (ás flores, refiro-me).
Explico-me mais logo que agora são horas de copos.
por certo tinha razão o Zé Manel: este não é um blogue desistente (foi só para vos alegrar que fiz que parecesse tal coisa).
quinta-feira, setembro 13, 2007
desaparecendo (n)o e então...

- e então ele disse: "há ausências que na ausência se presentificam. Como a tua."
-e então ela, comovida, disse: "a sério? estás mesmo a falar a sério?"
-e então ele disse: "é um jogo de palavras. Não existe nada de mais sério que um jogo de palavras."
E então ela nada disse. E começou a chorar.
-e então ele disse: "porque choras?"
-e então ela disse: "porque não existem palavras que substituam o curso descendente das lágrimas. E o seu sal."
E então ele calou-se. Nada mais disse. Até hoje.
Uns dizem que ele se tornou assassino. Outros dizem que se tornou poeta.
Deve dizer-se que estes que dizem isto estão ainda num jogo de palavras.
Curiosamente com sinónimos.
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